Os dias são bagunçados. É incrível a minha falta de rotina nessa preciosa vida. Eu não consigo manter as coisas por muito tempo. Fico sempre num loop de ter um ou dois dias bons e regrados e depois a coisa desanda. Essa semana, por exemplo, fui à academia apenas na segunda. Não consegui regular nenhum horário (a não ser ir dormir por volta das 3h da manhã). Já tem um tempo que não escrevo. Recebi algo do outro lado que parece ser muito forte e não dei continuidade imediata, e isso me dá medo de perder a monção das coisas. Não sei se é um excesso de reclamação ou uma falta dum tapa na cara. Ou talvez só me falte café. O café é uma bebida nutrida de uma substância química chamada ISÇOÉPRrRAJHá. Aos leigos, deixem-me explicar. Ao ingerir o teor líquido resultado da adição de água muito quente mas não fervendo em um pó de café torrado e moído em pequenos grãozinhos arenosos, a substância ISÇOÉPRrRAJHá é absorvida por seu sistema digestivo que dispara um sinal ao seu córtex front...
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Trabalhar é sujar as mãos? Sempre que penso em trabalho, penso em minhas mãos, pernas, tronco, cabeça, tudo trabalhando fisica e literalmente pra executar um serviço. Desde sempre, trabalho pra mim é isso. Ia pra firma com meu pai desde os 13. 6h30 já estava na firma tomando café da manhã com a peãozada (cerca de 5 caras). Era gostoso! Café com açúcar, pãozinho fresco e crocante com margarina, às vezes ovos e bem de vez em quando um dos abençoadas fritava carne de bode pra gente. Às 6h30 da manhã! Era muito legal! Nessa idade eu tava ampliando meus horizontes sociais e nem sabia, né? Com 13 vc vai à escola, tem os amiguinhos e já era. Estar cercado de adultos trabalhando era outra parada. Os papos, a dinâmica, a tiração de sarro entre eles... Mas principalmente o que moldou minha noção de trabalho era esse cotidiano: graxa, cavaco de ferro, uniforme sujo, cortes leves nos dedos causados quando ia esmerilhar a rebarba de ferros chatos que tinham acabado de sair do corte. Eu fazia esses ...
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Sobre trompetes e açúcar O relógio já bate quase 11h da matina. Tô no meu horário do desjejum. Desde que mudei pra meu novo apartamento tomo (i)regularmente café (com muito açúcar, apesar de não gostar adoçado) da manhã do Bar do Biu, que fica exatamente na esquina de baixo – caso contrário, duvido muito que o faria. Duas coisas me levaram ao banquete matinal fartíssimo no boteco: não tenho gás encanado ainda, então não consigo fazer um ovo mexido ou q u a l q u e r coisa pra rangar, e o fato de ser barato para os padrões pinheirers. Mas a vida não opera em duas dimensões. Logo percebi o porquê de sentar ao balcão. Família. Sinto muita falta de casa, apesar de sempre visitá-la, e das pessoas. Acordar, tocar trompete (que eu nem sei tocar) só pra zoar, descer as escadas cantando, sentar à mesa e tomar o chafé de casa, comer um pão que pode ser do dia anterior ou do Gabriel com manteiga, talvez um sucrilhos se tiver, um copo d’água, ouvir Ana Maria, ver minha...